25.1.17

Sobre 2016, para 2017

2016 quase fazendo a curva e uma alvorada mineira pra deixar saudade

Faz uns anos que uns dias antes da virada ou um que outro depois, sento por aqui, faço algum balanço do ano que passou e na medida das expectativas, que também variam com as viradas de folhinha no calendário, traço planos.

Eis que chegamos a 2016, ou ao fim dele, e a minha necessidade de que esse ano terminasse era tão grande que estava mais fácil ficar agachada debaixo da cama gritando ‘vem disco voador’ em posição fetal do que querer refletir sobre o que passou.

Então borá traças estas linhas antes que se encerre também o primeiro mês do ano.

Para ser justa, até tentei um ano novo no fim de julho, com direito a espumante e tudo, para ver se o tal do 2016 B vinha mais leve, má che, como diria a minha colônia querida, o ano seguiu – e tomo a liberdade de colocar de usar o plural aqui -, nos patrolando.

A imagem que me vem à mente quando penso nos últimos doze meses, embalada pelo calor e leveza desses primeiros 25 dias de 2017 -- ainda tão coalhados de notícias terríveis quanto seu antecessor --, é a de lutar, com mais ou menos forças, para não submergir. E ainda assim engolir água para caramba e passar boa parte do tempo desnorteada.

Em 2016, penso, envelheci.

Os cabelos brancos, antes raros, se não abundantes, ganharam espaço cativo. Lado esquerdo do cocoruto, meiuca da cabeça, ainda escondidos por uma boa porção de mechas castanho-alouradas-despentedas, mas ali, à espreita.

Tento lembrar de 2015. Não sou capaz. Tudo me parece tão, mas tão longe. Quantos anos vivemos nesses 366 malfadados dias?

Claro, a situação se agrava por conta da síndrome de Estocolmo que é o jornalismo, que nos obriga não apenas a ser testemunha dos fatos, mas a narrá-los, enxerta-los de informações não necessariamente necessárias, e agarrar com força, ainda que muitas vezes sem fôlego, a próxima tragédia.

Ainda assim, acho que o caos foi geral. Como bem disse a Caro, entre janeiro e dezembro ‘a bruxa estava solta’. E tudo leva a crer que só terminamos a mala onda que nos trouxe até aqui em 2018.

Encerrei esse turbilhão no meio do mato, cercada de amigos, acordando e dormindo com uma represa de águas claras e mornas a poucos passos -- me pareceu a versão mais agradável do tal ficar em posição fetal esperando o fim. E foi bom. Se não apagou 2016, resetou boa parte da amargura que me tomava (sdds MG).

(Até escrevi uma carta de intenções, sem grandes ambições, para ver se, de alguma forma, eu procurar ser uma pessoa melhor para o ano que vem aí ao invés de apenas esperar que ele não seja tão dramático ajuda um pouquinho.)

Não há como pedir que 2017 venha assim, facinho e sem ondas – viesse também, talvez me entediasse --, e tampouco é assim que as coisas se desenham, então peço apenas que pelos próximos 11 meses eu tenha a serenidade e a força necessárias para encarar as ondas que aparecerem, mergulhar fundo antes da rebentação e sair nadando, não cuspindo água e quase me afogando, dessa história toda.

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