31.7.17

Grande Sertão Veredas: a leitura

Fato é. A vida é curta, o tempo ruge, os 30 se aproximam com velocidade e nunca li Grande Sertão Veredas.
O livro me olha da estante faz anos. Folheio, começo, começo outro livro qualquer e a vida segue deixando Riobaldo e Diadorim para depois.
Como é bom traçar objetivos, venho por meio desta me lançar o desafio pessoal de terminal a turma de neologismos de Guimarães Rosa até o final do ano. Ou não me chamo Joaquina.
Quem viver, verá (ou me lerá reclamando por aqui).

24.7.17

Desassossego


Tem um trecho de um livro para-crianças-e-ainda-mais-para-adultos do Valter Hugo Mãe em que a narradora, uma menina, diz, “sofro de um problema de desassossego. Não sei estar sossegada”. 

Nesses dias que me vem um banzo não sei bem de ontem – pelo futuro, pelo passado? A ansiedade como modo de vida --, a frase fica pairando em mim. Estar sossegada, pois. Não sou capaz.


3.7.17

Há estes dias em que pressentimos na casa
a ruína da casa
e no corpo
a morte do corpo
e no amor
o fim do amor
estes dias
em que tomar o ônibus é no entanto perdê-lo
e chegar a tempo é já chegar demasiado tarde
não são coisas que se expliquem
apenas são dias em que de repente sabemos
o que sempre soubemos e todos sabem
que a madeira é apenas o que vem logo antes
da cinza
e por mais vidas que tenha
cada gato
é o cadáver de um gato
(Ana Martins Marques, in "O livro das semelhanças")