22.10.17

A carteira que o sábado levou

Perdi minha carteira pela madrugada do sábado (ou para a madrugada, vá lá), e me peguei pensando que para além da dor de cabeça de correr atrás de todas aquelas pequenezas que não valem nada para quem porventura tenha tirado ela da minha bolsa – carteira de motorista, do plano o santo VR --, o que me dói mais é perder o repositório sentimental que andava comigo para cima e para baixo pela cidade. Não tenho nenhum argumento para justificar o porquê de ainda ter a carteirinha da UFRGS junto com tickets de trem de algum passado mochileiro. Mas era bom saber que aquele banco de fotos 3x4 sofríveis de um eu de 14, 17, 23 anos e por aí vai, as moedas de outros países que, em tese, um dia eu iria guardar num lugar decente que ficavam atrapalhando o troco do busão, um que outro trecho de livro copiado às pressas para resistir à fugacidade da memória e até uma pedrinha bonita, que, bem, era uma pedrinha bonita, estavam ali. Fico até com pena do ladrão. Tudo isso e míseros 2 golpinhos. Deve ter ficado mais decepcionado que eu (e, sim, era desaconselhavelmente bem mais pesada o que uma carteira deveria ser).

Nenhum comentário: