4.1.18

Chuva no Rio de Janeiro

Crescer numa simpática casa de madeira cercada de árvores muito altas com galhos que quase roçavam o telhado cria na gente um certo medo de chuva. Era dar o primeiro temporal para correr e tirar tudo das tomadas, checar possíveis goteiras (e palmas aqui para o pai e para a mãe e sua habilidade em se equilibrar sótão afora espalhando baldes), torcer para nenhum galho cair e, em casos mais graves, até queimar folhas de oliveira -- sempre devidamente secas e estrategicamente guardadas na cozinha para as emergências --, porque, diziam os antigos, isso fazia a chuva amainar, e vai lá tu tentar contradizer uma tradição dessas em plena chuvara na serra gaúcha. Tempo passou, fui morar já marmanja em uma meia dúzia de apartametnos diferentes e a chuva caindo passou a trazer alguma tranquilidade até pá, jornalismo no Rio de Janeiro. É dar qualquer chuva mais forte que acordo com medo, não do meu telhado cair, mas dos telhados alheios --- e porque ninguém disse que isso era um texto altruísta --, do que que vai sobrar para mim nessa cobertura molhada.

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