15.5.18

Projeto Antônia

Não conheci minha avó paterna, também não tive a chance de saber direito quem foi meu avô materno. Criança criativa, me parecia perfeitamente plausível e suficiente ter calhado de ficar com um casal de avós vivos -- ainda que fossem um de cada canto da família. Dos dois que se foram antes de eu nascer, sobraram só algumas poucas histórias que também nunca me dei ao trabalho de ir atrás.

Até hoje.

Deixando a vida do vô Guilherme um pouco de lado -- essa com mais cor e detalhe, já que quando ele faleceu a mãe já era adulta e ele idoso, seguindo o rumo natural da vida --, me dei conta que, fora o papo de que nós duas seriamos idênticas fisicamente, sei nada ou quase nada sobre a minha avó.

Sobre Antônia.

Ela morreu cedo, quando o pai tinha 15 anos, alguns dizem que de tristeza por ter tido um filho ainda criança atropelado por um caminhão na recém construída BR 116, e deixou só sombras de histórias. Tanta modernidade, tão pouco coração, em colocar uma avenida em meio a um bairro repleto de crianças acostumadas a correrem soltas para todos os lados.

Nem sequer sei se ela se o nome dela era Antônia ou Antonieta, como tantas pessoas a chamavam. Ou mesmo o nome dos seus pais, meus bisavós. Como era a vida dela antes da história que me inclui, dos 16 filhos, das surras do meu avô, do tal tifo que a levou com quase 50 anos.

Parece que ela veio, filha única, fugida com os pais de São Paulo. O bisavô, diagnosticado com hanseniáse, teria ido embora antes que o separassem da família - na época, a internação era compulsória.

Essa história ai que eu desconheço é também a minha história.

Como parceiro, terei meu secretário and pai, Paulo Bianchi. O pai sempre curtiu história, passado, e está naquela fase difícil de aprender a ser aposentado. Para alguém sempre tão ativo e com a coluna recém operada, tem sido complicado.

Pode ser que a gente não chegue a lugar nenhum, que eu seja engolida pelo factual desse ano de eleição e acabe deixando isso pra lá. Pode ser que a gente descubra de fato quem foi Antônia.

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